terça-feira, junho 25, 2013

Quando a Maré encher...

Ainda não acredito no que escutei... mais pessoas mortas pela polícia na favela da Maré, no Rio de Janeiro. Incrível como lá nunca se usou balas de borracha... Me pergunto quando os policiais vão deixar de ser capitães-do-mato e quando a Maré vai se encher disso tudo!? Maré, considerem esse poema um barquinho pra iemanjá... um barquinho navegado só pela esperança. MARÉ RESPIRA!

Na respiração da Maré

Há os que se reservam
a observar o mar
Há os que rezam
pelos navegantes
Há os que se soltam nas ondas
e se deixam levar

Há os que respeitam o mar
conhecem a sua força
não o veem como obstáculo
mas sim, outro caminho
a trilhar

Esses ritmaram sua vida
pela respiração da maré
forte, lenta e constante
incessante reveladora de segredos
há tanto escondidos
nas profundezas da memória

E a maré nunca esquece seus filhos...

Com ela, sempre podem contar
pra ela sempre podem voltar
ela, que sempre lhes ensinou
a respeitar o mar

Hoje, na minha cidade
há maré vermelha...
Mas isto não significa
que o mar chegou a morrer

A maré está mais que viva!
Podem tentar sufocá-la...
mas ainda respira.
A maré sofre, mas resiste...
Resiste até ao BOPE

A MARÉ
NUNCA
DORME

Marlos Drumond


quarta-feira, junho 19, 2013

E um belo dia... O Brasil acordou!!



Um belo dia                                  

Hoje
o dia amanheceu
lindo

Nos parques
as crianças correm
sobem nas árvores da imaginação
e os casais passeiam
enamorados pelo mundo

A metrópole pulsa
arrítmica
e a vida segue
por vias incertas

Hoje o sol esgueirou-se
por ângulos diferentes
da cidade

Sua luz a desnuda

Hoje faz um belo dia
para a Poesia
sair à rua.

terça-feira, junho 18, 2013

Linha de frente

Que lindo o que ocorreu ontem no Rio e em várias outras capitais do país.... 17 de junho vai entrar para a História como o dia em que o Brasil acordou. Nunca vou esquecer essas imagens... As pessoas caminhando em paz rumo a um futuro que elas mesmas estão fazendo! Isso não tem preço e é lindo de se ver.
Agora posto outro poema que acho que tem muito a ver com o que estamos passando (ou o que está passando por nós) no Brasil. Há algo no horizonte e estamos indo atrás! Vamos todos!!!!

Linha de frente

Na batalha que segue
é meu coração
que toma a frente

Com sua armadura
em pedaços,
seu corpo frágil
comanda como um maestro, um regente

os arqueiros
da minha imaginação

a cavalaria
das minhas convicções

os soldados
das minhas palavras

E avança
contra o moinho de vento

J Á !


Marlos Drumond

segunda-feira, junho 17, 2013

Resistência Eterna (ACORDA BRASIL!)

"Deixe em paz meu coração... que ele é um pote até aqui de mágoa... e qualquer desatenção, faça não. Pode ser a gota d'água"
Diante de tudo o que está acontecendo no Brasil, não posso ficar calado... e acho que já vem acontecendo há muito tempo, só que ninguém aguenta mais tanta injustiça. Os 20 centavos foram só a gota d'água. Os empurrões da polícia só fizeram aumentar o movimento e as lágrimas pelo gás (lágrimas de sangue - que também não foram só pelo gás) só nos fizeram mais fortes, mais unidos. E somos muitos mais do que imaginávamos....
Este poema que publico agora já havia escrito há alguns anos, está até aqui no blog... mas entra como uma luva neste momento que tantos irmãos e irmãs estão resistindo a tantas violências. Acho que essa é a prova que eu nunca deixei de acreditar  que o Brasil fosse algum dia acordar do coma que está desde a década de 60 (senão de antes até...). E quando acorde... nunca mais vamos deixar o gigante adormecer "em berço esplêndido", mas sim alçar voo! Aí vai:

Resistência eterna


Por mais difícil que seja
a época,
por mais atroz
o inimigo

não nos importa
suas idéias
dispensáveis, intragáveis

Estaremos sempre de pé
sempre aí
sempre indomáveis

Somos parte
do inexorável…
da onda imparável
da vida

onda que se levanta
quando nos levantamos todos
para o destino
de sermos invencíveis.


Marlos Drumond

sexta-feira, abril 19, 2013

Qué pasó?



¿Que pasó?

Buenos Aires, mi amiga
¿dónde está tu magia?
Busco por las esquinas
en los bares,
no la encuentro!

La música de tus entrañas
¿dónde está?
Tus nubes de vainilla…
¿por qué se vistieron de plomo?

¿Donde están tus calles floridas
de oportunidades?

El fileteado vivo de tu gente
se quedó escondido
en la bruma…

Solo escucho llanto
arrastrándose por las calles…

Ojos cabizbajos
mirando solo el concreto negro
bajo los pies
y temerosos por tantos fantasmas


Tantos corazones fóbicos…
¡Pobres corazones!
¿Cómo cualquier tiniebla vana los invade?

Parece que enfermos
escupen ácido
estornudan humo
y no tienen más ánimo
para cantar tu belleza

Quizás si te canten
te despiertes…


Marlos Drumond



quarta-feira, abril 17, 2013

Cordeiros e lobos (port e esp)


Cordeiros e lobos


Mãos tímidas, temerosas
tateando a escuridão
isto é o que temos nesta vida


Vagamos como cegos
pelas sombras da existência
sós


Não vemos o outro ao redor
que quando se choca contra nós
nos perguntamos assustados
“o que foi isto?”


Não vemos um palmo
adiante de nossos narizes
egoístas


Hipócritas,
não entendemos porque
há tanta escuridão
neste mundo!

Covardes,
Nos arrastamos pela vida
a escutar ao longe os uivos de dor dos outros
e pensamos que são lobos querendo atacar!


 Pensamos:
“O homem é o lobo do homem”


E mal sabemos
do lobo feroz
que levamos dentro.   



Corderos y lobos


Manos tímidas, temerosas
tanteando la oscuridad
esto es lo que tenemos en la vida


Vagamos cual ciegos
por las tinieblas de la existencia
solos

No vemos al otro alrededor
y cuando se nos choca
nos preguntamos asustados
“Qué fue eso?”


No vemos un palmo
adelante de nuestras narices
egoístas


Hipócritas,
no entendemos por qué
hay tanta oscuridad
en el mundo!


Cobardes,
nos arrastramos por la vida
y cuando escuchamos el aullido del dolor de los otros
pensamos que son lobos por atacar!


Pensamos:
“El hombre es el lobo del hombre”


Y mal sabemos
del lobo feroz
que llevamos dentro.                                                     


Marlos Drumond                                            

terça-feira, março 19, 2013

Poemas vivos!

Um bem quente em português y el otro muy caliente en castellano....



Poema vivo

Vem
vamos fazer
um poema

um poema vivo

de carne, bocas, lábios
sangue, ossos, cílios
e poros abertos
de tanto desejo

Mãos famintas que percorrem
os caminhos perdidos
de nossos corpos

sussurros, suspiros
e transpiração...
nosso caos
em perfeita harmonia

E depois que os músculos
pedirem clemência
não precisamos
trocar uma palavra

Fiquemos em silêncio...

e escutemos a sinfonia
sem fim
da orquestra de cordas
das estrelas.


Poema vivo

Vení
vamos a hacer
un poema

un poema vivo

de carne, bocas, labios
sangre, huesos, pestañas
y poros abiertos
de tanto deseo

Manos hambrientas que recorren
los caminos perdidos
de nuestros cuerpos

susurros, suspiros
y traspiración…
nuestro caos
en perfecta armonía

Y después de que los músculos
pidan clemencia
no necesitamos decir
una palabra

Quedemonos en silencio…

y escuchemos la sinfonía
sin fin
de la orquesta de cuerdas
de las estrellas


Marlos Drumond