terça-feira, julho 05, 2011

Fingidores

Pois é, nasceram gêmeos... um carioca e o outro porteño

Fingidores

Vou te dizer um segredo, meu amigo
chegue mais perto

Pode não parecer
mas estamos cercados
Ao redor...
em todos os lados

estão fingindo...

Fingindo que vivem seu sonho
vão carregados
pela rua...
ninguém quer ver a verdade
assim, desnuda

Fingem que trabalham felizes
pros que fingem a felicidade de explorar
(como fingem mal!)
fingem que amam suas mulheres, seus homens
porque não sabem mais onde procurar

Mas principalmente figem não saber
que fingindo viver, põem a vida a perder
porque o tempo...
esse não finge que passa.




Fingidores (esp.)

Te voy a contar un secreto, amigo
acercate...

Puede no parecer
pero estamos cercados
Alrededor,
en todos los lados...

estan fingiendo...

Fingiendo que viven su sueño,
se van llevados
por la calle,
nadie quiere ver la verdad
así, desnuda

Fingen que trabajan felices
para los que fingen la felicidad de explotar
(fingen muy mal!)
fingen que aman sus mujeres, sus hombres
porque no saben más adonde buscar

Pero principalmente fingen no saber
que fingiendo vivir, ponen la vida a perder
porque el tiempo...
ese no finge que pasa.

Marlos Drumond

quarta-feira, junho 01, 2011

Enfim um post sobre música

Olha gente tava difícil postar alguma coisa sobre música nos últimos tempos. Mas quem procura acha. Um dia, vendo o facebook, me apareceu um link de uma banda que eu não conhecia, vi qeu estavam se apresentando na rua, e isso chamou minha atenção. Me surpreendi com a alegria e tranquilidade com que tocavam, dava pra perceber que adoram fazer isso. E a cantora tem uma voz muito boa, meio rouca, gostosa de ouvir, bem ao estilo francês de antigamente, e faz com a voz um tipo de corneta que dá um tom super jazzístico às músicas, e tem uma grande capacidade de improviso, além de afinadíssima e simpática. A banda se chama ZAZ e me deixou aqui "enchanté" e com vontade de compartilhar isso com vocês (que mesmo não colocando nomes nos posts, e às vezes nem postando nada mesmo, sei que vcs estao aí do outro lado - até do mundo - lendo minhas doideras, por isso continuo aqui escrevendo).
Ponho aqui o link do vídeo do youtube da música Je veux ( Eu quero) com legenda em inglês pra dar uma ajudinha...

Profitéz-vous! Disfruten! Aproveitem! Enjoy!

quarta-feira, maio 25, 2011

Dois poemas

Hoje temos dois no cardápio... para o paladar brasileiro e pro argentino.


Sem defesa

Não há defesa
Não há diques de contenção
quando diante da verdadeira beleza
está o seu coração

Não vale a pena lutar
chorar, espernear…
se o adversário
está do lado
de dentro

Renda-se

É só uma questão de tempo
para um fio de água
alimentar um vale
ou todo um deserto

É querer conter a ventania
em uma flor
ou toda a poesia
num só verso.


Marlos Drumond


Tango

Tengo esa palabra
bailando...
volando en mi cabeza

Pero no sé todavía
si me lleva ella
o si la llevo en mi

Cierro mis ojos entonces
ante el más puro sentimiento

A esa altura del camino
no sirve más
ni el más alto conocimiento

La siento únicamente
y tanto…
que no es más solo vida
ni solo muerte
es tango.

Marlos Drumond

domingo, abril 10, 2011

...sem palavras

Fica difícil dizer alguma coisa num momento como estão passando as famílias das vítimas da escola de Realengo no Rio de Janeiro. A dor é indescritível, intangível... o golpe da morte sempre nos pega desprevenidos. É muito louco isso ter acontecido tão perto de onde eu morava (apenas duas estações de trem do meu bairro) e me tocou muito. Provavelmente cruzei com algumas dessas crianças ou mesmo o assassino Wellington nas minhas andanças pela Zona Oeste do Rio de janeiro.

Mas também é muito difícil pra mim cruzar os braços e não fazer absolutamente nada, nem dizer absolutamente nada em relação a isso. Como já disse em um poema meu há tempos, "a poesia não deixa", e nesse momento, menos ainda.

Antes de postar o poema, quero deixar claro que não é um incentivo aos suicidas, mas um aviso, uma advertência para que casos assim não ocorram tão cedo. Para que a cadeia de situações que leva a esse episódio de extrema violência seja quebrada em algum momento, antes que seja tarde demais.


A carta do homem-bomba

...dez

Cresci nomeio do nada

de afeto

não consigo mais chorar...


...nove

Pra que contato com essa gente

sem moral, mentirosa

humana demais.

Prefiro falar aos animais.


...oito

Meu corpo tem sensações demais

Não pode!

Meu pensamento tem idéias demais

Não pode!

Quero o amor! Meu sangue nas veias explode!

Não pode!


...sete

Não tenho a quem falar

Não me escutam, mas

um dia minha voz vai ressoar

como o trovão.


...seis ...cinco ...quatro

Passa o tempo e não posso mais viver

nessa casa,

nessa vida

nesse quarto em mim.


...três

Caiu a última lágrima

Não importa mais a vida

suas coisas, suas leis imundas

toda essa gente morimbunda


...dois, um

Agora eu posso mais.

Essa vida de pedra

sempre me disse o que fazer, o que falar

mas eu terei a última palavra

mesmo que seja

tarde demais


ZERØ



Marlos Drumond

quarta-feira, abril 06, 2011

Linda / Bella

Em Português e Espanhol...

Linda

Como uma palavra
pode dizer tanto

Concentrar toda a beleza
num instante
e levar minha alma
até a estrela mais distante

No momento em que volto
ao teu olhar
não me resta quase nada

Só me resta
esta palavra
a ressoar
no pensamento:
"Linda..."

Marlos Drumond


Bella

Como una palabra
puede decir tanto

Concentrar toda la belleza
en un solo instante
y llevar mi alma
hasta la estrella más distante

En el momento que vuelvo
a tu mirada
no me queda casi nada

Solo me queda
esta palabra
a resonar
en el pensamiento:
"Bella...."

Marlos Drumond

sábado, março 26, 2011

A militância continua...

Linha de frente

Na batalha que segue
é meu coração
que toma a frente

Com sua armadura
em pedaços,
seu corpo frágil
comanda como um maestro, um regente
os arqueiros
da minha imaginação
a cavalaria
das minhas convicções
os soldados
das minhas palavras

E avança
contra o moinho de vento...

JÁ !!

Marlos Drumond

terça-feira, março 08, 2011

Revolucionario de mi

Revolucionario de mi

Mi revolución
no se compra
con una remera

Mi revolución empieza
en la hora primera
de una bella noche de luna
cuando sobre mi se vuelve
la Rueda de la Fortuna

Mi revolución empieza
en la cocina de mi mente
después de limpia la loza
frágil y dura
de mis viejos ideales

Mi revolución
está en utilizar nuevas herramientas
y en la masa amorfa
mezclar viejos y nuevos materiales

Desupés de ponerla al fuego
se empieza a sentir
el dulcisimo olor de la novedad
en toda mi casa

Mi revolución empieza.
Mi revolución empieza...
Mi revolución... empezá!

Marlos Drumond